As mulheres continuam significativamente sub-representadas em cargos de liderança no setor de tecnologia da informação (TI). Estudos empíricos indicam que elas ocupam aproximadamente 18% das posições de liderança em TI em nível global. Apesar do crescente interesse pela equidade de gênero nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), pouca atenção tem sido dada aos fatores psicológicos e institucionais que influenciam a motivação das mulheres para buscar cargos de liderança em contextos de TI. A motivação para liderar (Motivation to Lead – MTL), definida por Chan e Drasgow como as diferenças individuais no desejo de assumir e desempenhar funções de liderança, oferece uma perspectiva relevante para essa investigação. A MTL compreende três dimensões: motivação afetivo-identitária (prazer em liderar e identificação com o papel de líder), motivação soci normativa (liderar por dever ou obrigação) e motivação não calculativa (liderar apesar dos custos pessoais). Embora a MTL tenha sido associada à eficácia da liderança e aos resultados de treinamentos, ela raramente foi aplicada ao contexto da TI. Este estudo busca preencher essa lacuna ao examinar como características individuais e percepções sobre políticas de equidade de gênero (Gender Equity Policies – GEP) se relacionam com a MTL entre profissionais de TI.
O estudo baseia-se na Teoria Social Cognitiva para examinar o impacto da autoeficácia — definida como a crença na própria capacidade de ter sucesso em áreas STEM —, da autoconfiança — definida como a percepção da própria competência em relação aos outros — e da percepção de desigualdade de gênero — entendida como a percepção de que as mulheres têm menos oportunidades do que os homens — sobre a MTL. Hipotetiza-se que indivíduos com maior autoeficácia e autoconfiança apresentem níveis mais elevados de motivação afetivo-identitária e soci normativa, enquanto percepções mais fortes de desigualdade de gênero possam reduzir a MTL ao sinalizar um ambiente pouco acolhedor. Além disso, com base na Teoria Institucional, o estudo examina como as percepções individuais sobre políticas institucionais de equidade de gênero — incluindo a importância atribuída a essas políticas, o conhecimento sobre sua existência nas organizações e as consequências percebidas de sua ausência — estão positivamente associadas à MTL. O modelo controla ainda os efeitos de gênero, atuação no setor de TI ou fora dele, experiência em liderança e grupo geracional.
Autores:
Indira R. Guzman, Florencia Sánchez-Guillén, Boris Branisa, Guillermo Guzmán Prudencio, Elizabeth Jimenez Zamora & Cristiano Maciel
Referências (APA):
Guzman, I. R., Sánchez-Guillén, F., Branisa, B., Guzmán Prudencio, G., Jimenez Zamora, E., & Maciel, C. (2026). Understanding motivation to lead in IT through individual traits and gender policy perceptions. In Proceedings of the 63rd ACM Conference on Computers and People Research (SIGMIS-CPR ’26) (p. 129). Association for Computing Machinery. https://doi.org/10.1145/3768310.3807831
